Coragem, de Rose McGowan

8 de abril de 2018

Oi pessoas!

Coragem é uma autobiografia da Rose McGowan e que chegou por aqui através da parceria que o blog tem com a editora HarperCollins Brasil.

Rose McGowan se tornou uma das atrizes mais desejadas de Hollywood da noite para o dia quando foi “descoberta” nas ruas de Los Angeles. O estrelato logo se tornou um pesadelo de exposição constante e sexualização. Todos os detalhes de sua vida pessoal se tornaram públicos, e as realidades de uma indústria inerentemente machista emergiam a cada roteiro, papel, aparição pública e capa de revista.
Hollywood esperava que Rose ficasse quieta e cooperasse. Em vez disso, ela se rebelou e impôs sua verdadeira identidade e voz.
Ela reemergiu sem roteiros nem desculpas, corajosa, controversa e sempre verdadeira. Liderando o movimento de denúncias de assédio sexual na indústria de entretenimento ao expor os crimes de Harvey Weinstein, Rose é hoje um dos rostos do movimento feminista e não hesita ao disparar verdades inconvenientes e exigir mudanças.
CORAGEM é seu livro de memórias em forma de manifesto — um relato sem censura nem piedade da ascensão de um ícone millennial, uma ativista sem medo e uma força de mudança imparável determinada a expor a verdade sobre a indústria do entretenimento, trazer à luz uma indústria multibilionária construída sobre a misoginia sistêmica e empoderar pessoas ao redor do mundo a acordarem e terem CORAGEM.

Para quem não conhece, Rose McGowan é uma atriz americana que ficou muito conhecida pelo seu trabalho na série Charmed e recentemente, por seu uma das primeiras pessoas a denunciar os abusos sexuais (e até estupros) cometidos pelo produtor americano Harvey Weinstein. Em seu livro autobiográfico Coragem, ela vai contar a sua trajetória, desde a infância na Itália, até os dias atuais, mostrando a relação e carreira com Hollywood e como isso se assemelha a uma seita religiosa.

“Se você ama muito as Kardashian, você está numa seita. Se você assiste ao seu programa de tv favorito e entra na internet e em salas de bate-papo onde todos estão obcecados pelo mesmo programa e repassam os episódios em detalhes, você está numa seita. […] Você está vivendo a sua vida por meio de outras pessoas. Se vota em tal e tal pessoas cegamente, você está numa seita. Se está muito envolvida na máquina de propaganda do seu país, está numa seita. Olhe ao redor e veja onde as seitas estão, porque elas estão em todos os lugares.” (p.21)

Na primeira parte do livro, Rose McGowan vai contar sobre como era a vida na Itália sendo criada a partir das regras da seita religiosa Meninos de Deus. Ela vai mostrar os abusos e todas as coisas terríveis que teve que passar por viver dentro de uma doutrina abusiva e traumatizante.

Ao sair da seita e ir morar nos EUA, McGowan achou que sua vida iria tomar um rumo, mas na verdade os problemas só começaram. Ela teve que se virar para conseguir um pouco de dignidade na sua vida: ela morou nas ruas, viveu de cidade em cidade e isso tudo enquanto ela era apenas uma criança/adolescente.

Um assunto que está muito presente ao longo de todo livro é a imagem: a atriz vai falar sobre os distúrbios alimentares e com o corpo que enfrentou no inicio da vida adulta e o quanto teve que mudar para poder se encaixar em um “perfil padrão hollywoodiano”. E isso fico bem claro quando ela vai falar do seu cabelo e o porquê de ter cortado ele curto após anos de madeixas longas.

“Conheço muitas mulheres e meninas que me dizem que seus cabelos são uma capa de proteção e que elas se escondem atrás deles. Eu não só me identifico, como também acho isso devastador. Claro que você deve ter cabelo comprido se é isso que VOCÊ quer, mas analise suas motivações.” (p.13)

Eu fui impactada por muita coisa que li nesse livro: muitas frases foram grifadas e queria colocar tudo aqui, mas aí seria um post de citações e não de resenhas, né?! Rose McGowan vai contar também sobre a vida como artista e todas as implicações desse mundo com sua vida real. Ela vai tocar em muitos assuntos polêmicos como  aparência, relacionamento abusivo, empoderamento, feminismo e muitos outros assuntos que só lendo o livro para conseguir identificar.

Os relatos escritos nesse livro são fortes e em muitos momentos me senti enojada com toda a crueldade existente para tornar aquele filme que a gente amou tanto ser um sucesso. Ao ler o livro, me dei conta que curtia trabalhos de pessoas que beiram ao comportamento doentio e tóxico e que eram capaz de qualquer coisa para manter a sua fama e poder. Posso dizer que me fez refletir sobre o que ando consumindo como entretenimento.

Eu recomendo não só a leitura de Coragem, mas também de outros livros que contam histórias reais e mostram como a vida nã é tão simples e perfeita quanto o Hollywood e “tantas outras seitas” querem nos fazer acreditar. É um pontapé inicial para que possamos compreender como podemos ser manipulados e influenciados de maneira errada.

Coragem
Autor: 
Rose McGowan| Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 288 | ISBN: 9788595082830
SkoobGoodreads
Para ler: Amazon

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2 comentários no blog
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  • Reply Marcela 10 de abril de 2018 at 20:26

    Eu AMO a Rose McGowan, ela é uma das minhas figuras favoritas de Hollywood, mesmo antes de ela abraçar a causa feminista e trabalhar tanto pra expor os abusos. Na verdade, eu acompanhei todo o processo de mudança de comportamento dela, quando ela abandonou as câmeras e colocou a boca no mundo, e na época foi algo tão pesado e repentino que eu fiquei até confusa. E quem ia imaginar que a decisão dela de abrir o jogo ia ter tantas consequências! Naquela época ninguém nem imaginava o tamanho da bola de neve, e o resultado é que hoje em dia aparecem mais e mais denúncias e tá quase impossível ver um filme famoso que não tenha uma pessoa escrota envolvida. Foi, com certeza, o começo de uma revolução, e eu fiquei morta de vontade de ler esse livro!

    • Reply Karin Paredes 12 de abril de 2018 at 13:23

      Oi Marcela!
      Eu curtia muito a série Charmed mas não acompanhava tanto como hoje a gente acompanha série, mas acho que que ela deu um novo gás para a história quando entrou.

      Sobre filmes… estou na mesma vibe… sei lá, tomei ranço de muita coisa! Mas to com a sensação de que daqui a pouco não vai haver nada para a gente assistir, porque quando não é artista abusador, é artista que protegeu abusador e aí sei lá o que é pior!

      Mas gostei muito do discurso e acho que sim, você irá gostar muito da leitura.

      Mil beijos!

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