Frankenstein, ou o Prometeu moderno, de Mary Shelley

28 de julho de 2017

Para compor sua bem-sucedida experiência literária, Shelley costurou influências diversas, que vão do livro do Gênesis a Paraíso Perdido, da Grécia Antiga ao Iluminismo. O resultado é uma daquelas histórias eternas, maiores do que a vida. Leitura obrigatória em países de língua inglesa, FRANKENSTEIN é muitas décadas anterior à obra de Poe, Bram Stoker ou H.G. Wells, e vem sendo publicado ininterruptamente desde 1818. Pouco menos de dois anos antes, a criatura nascia numa noite de tempestade à beira do lago Genebra.
No verão de 1816, Mary e um grupo de escritores ingleses — seu marido, Percy Shelly, o poeta Lord Byron e John William Polidori — dividiam uma casa na villa Diodatti, na Suíça. Entusiasmados pela leitura de uma edição francesa de Fantasmagoriana — coletânea de histórias sobre aparições, espectros, sonhos e fantasmas —, os quatro aceitaram o desafio de escrever um conto de terror cada. Mary concebeu a origem de FRANKENSTEIN. E curiosamente, Polidori escreveu o que viria a ser O Vampiro, romance que serviria de inspiração para Drácula, de Bram Stoker. Fonte da Sinopse Editora Darkside Books

Frankenstein

Frankenstein vai muito além de um livro clássico de terror, numa história que mistura ficção cientifica e drama, que foi escrito no séc. 19 repercute até hoje no séc. 20, causando reflexões e diversas interpretações. A história por si só pode ser já bem conhecida pois existem várias edições e adaptações cinematográficas (que podem ter destorcido um pouco a ideia final que chega ao conhecimento geral).

Em um ano que eu decidi revisitar alguns clássicos essa edição da Darkside Books com o selo Medo clássico sem dúvida foi um dos maiores destaques do ano! Antes de contar sobre o enredo que sobrevive a mais de 200 anos uma contextualizada rápida sobre quem foi a responsável pela história.

Frankenstein

Mary Shelley é filha de uma mãe feminista, talvez uma das primeiras escritoras feministas que se há registro, um pai filosofo e esposa de um poeta inglês muito famoso aos 19 anos depois de um desafio entre os amigos ela criou um dos maiores clássicos que temos até hoje.

A história gira em torno do resgate do doutor Vitor Frankenstein que estava à beira da morte em mares gelados, após seu resgate Vitor relata sua história até chegar ali para Robert Walton que é quem registra essa história em cartas que envia a irmã.

Criador insensível e sem coração! Dotou-me de percepções e paixões e depois dispensou-me como um objeto de escárnio e horror da humanidade!

Frankenstein

Vitor conta como criou um monstro [sem nome] que é constituído de vários retalhos humanos e deu vida a essa criatura (tem a cena que acho que todo mundo já viu, onde a criatura é acordada por um raio).  Após a criação desse “monstro” Vitor se arrepende e abandona sua criação, até que acontecimentos fazem criador e criatura se reencontrarem.

Alguns milagres tornaram isso possível; contudo, as etapas da descoberta eram nítidas e prováveis. Depois de incríveis dias e noites de trabalho e fadiga, obtive êxito ao descobrir a causa da geração de vida; mais que isso, tornei-me capaz de animar matéria sem vida.

Os personagens são todos criados com base nas emoções ou falta delas, enquanto Frankenstein é uma pessoa distante, o monstro tem uma necessidade de proximidade (que é o que o aproxima novamente do doutor e desencadeia outros muitos acontecimentos). A parte mais clássica de terror é quando temos o relato sobre a busca do doutor por pedaços humanos para montar sua criatura, a montagem do corpo do monstro não chega a descrever claramente os processos, mas a buscas pelos pedaços é bem “wow”; os relatos do monstro sobre como é tratado e/ou abandonado após receber a vida que nos situa em um clima de solidão que nos leva a questionar a ambição desmedida de cientistas, a falta de empatia das pessoas umas para com as outras  e o quanto o ser humano baseia se em aparências físicas e mede suas interações sociais através disso.

Quando enfim me convenci de que era, na realidade, o monstro que sou, fui tomado pelas sensações mais amargas de desânimo e mortificação. Ai de mim! Ainda não conhecia totalmente os efeitos fatais de minha deformidade miserável.

A edição de luxo que a Darkside Books trouxe, além de ter toda a qualidade que já conhecemos de livros capa dura pelo qual a editora é conhecida, traz materiais extras que são riquíssimos, a edição é composta por uma introdução assinada pela DarkSide que nos dá um panorama geral do momento em que o livro é criado, uma introdução do marido da Mary em 1818 e uma introdução da própria autora na edição de 1831; além de 4 contos  de autoria da Mary Shelley que tem como tema a imortalidade e ilustração que fazem dessa edição a melhor que existe atualmente (na minha opinião claro, rs).


Frankenstein
, ou o Prometeu moderno
Autora
: Mary Shelley | Editora: Darkside
Páginas: 299  | ISBN: 9788594740188

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Para ler: Amazon | Saraiva

Osculos e Amplexos, Karina.

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