Homens imprudentemente poéticos, de Valter Hugo Mãe

9 de março de 2017

Olá pessoal,

Homens imprudentemente poéticos é o meu primeiro contato com a escrita de Valter Hugo Mãe, livro que chegou por aqui através da parceria com a Globo Livros.

Grande voz da literatura portuguesa contemporânea, Valter Hugo Mãe lança Homens imprudentemente poéticos, obra ambientada no Japão antigo e na qual o autor proporciona uma imersão idílica na cultura milenar japonesa. Com sua habitual escrita poética e desconcertante, Mãe traz à tona os temas da morte e do suicídio, em um contexto em que este ato possui um ponto de vista distinto ao do ocidente. Segundo o autor, no Japão, “um suicida não é visto como um fraco ou desistente, é visto como alguém que entendeu sua existência e se sente preparado para se entregar à natureza”.

Mãe situa seus personagens em uma aldeia no sopé do monte Fuji, próximo da região conhecida como a Floresta dos Suicidas, lugar que visitou enquanto escrevia a história. Os vizinhos, o artesão Itaro, que está em fase de preparação para a morte, e o oleiro Saburo são inimigos, mas devido às circunstâncias da vida, relativizam a discórdia e se opõem com cordialidade. De acordo com o escritor e jornalista Laurentino Gomes no prefácio do livro, “o mesmo olhar microscópico sobre a aldeia japonesa confere ao livro o tom de obra universal, de conteúdo profundamente humano, cujo enredo diz respeito a cada uma dos sete bilhões de pessoas que hoje habitam o planeta”.

Tal como em seu romance A desumanização, que teve a Islândia como cenário, Mãe escolhe um lugar longínquo para retratar a história, levando o leitor ao Japão profundo, um  ambiente sagrado que partilha o mesmo universo das fatalidades e da miséria. Diante das dificuldades e conscientes do valor da natureza exuberante que os cerca, os personagens passam a valorizar as pequenas alegrias do cotidiano e a espera da morte.
Sinopse: Globo Livros

Não conhecia Valter Hugo Mãe. Quando digo não conhecia, quero dizer “não conhecia sua obra, sua escrita, seus livros”. Já tinha visto o seu nome por muitos lugares, sabia que era um autor português. E somente no inicio desse ano, tive a oportunidade de ler o meu primeiro livro dele.

Foi uma surpresa e um choque. Eu tinha uma expectativa para esse livro e para o autor muito diferente do que realmente é na realidade. Seus livros e forma de escrever são bem diferentes do que eu habitualmente estou acostumada a ler. Mas isso não foi ruim. Pelo contrário, foi enriquecedor.

A trama é interessante e traz uma temática comum na literatura, mas com um viés bem diferente: o suicídio. Porém, o suicídio e, consequentemente, a morte, a partir do pensamento oriental, mas precisamente, o pensamento japonês. O que pode parecer mórbido e chocante para nós, para eles é motivo de respeito. O texto é escrito de modo singelo, poético. Ler esse livro é como ler poesia e por isso é preciso estar atento ás metáforas e aos recursos estilísticos utilizados.

A escrita do Mãe me pareceu muito similar com o de José Saramago. Os recursos gráficos utilizados (ou não!) podem confundir um leitor menos experiente, mas que conforme a leitura vai avançando, se tornam imperceptíveis. A grande questão do livro está na escrita, no arranjo das palavras, na forma como a história é contada. A técnica é o ponto focal de toda a construção desse enredo. A narrativa em si é um acessório em toda a composição dessa obra.

Eu não estava preparada para ler Homens imprudentemente poéticos. Não sei dizer se foi o momento da leitura ou se foi realmente a minha maturidade como leitora. Sei que é um livro poético, mas a poesia que eu sabia que existia dentro dele, em alguns momentos, me fugiu. Eu não consigo explicar muito bem: há uma profundidade na narrativa que acredito não ter conseguido captar ou absorver em sua totalidade. Apesar disso, a leitora foi bem enriquecedora e me fez lembrar que há diversas formas de um livro ser maravilhoso.

Ainda quero conhecer outras obras do autor e descobrir a genialidade desse escritor que o tem tornado um dos maiores nomes da literatura portuguesa da atualidade.

Homens imprudentemente poéticos
Autora
: Valter Hugo Mãe | Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 192 | ISBN:9788525063281
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Para ler: Amazon | Saraiva | Livraria CulturaSubmarino


Mil beijos e até mais!

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