O silêncio das águas, da Brittainy C. Cherry

4 de agosto de 2018

Da autora de O ar que ele respira e A chama dentro de nós, uma história de amor que precisará vencer todos os obstáculos.
Quando a pequena Maggie May presencia uma cena terrível à margem de um rio, sua vida muda por completo. A menina alegre que vive saltitando de um lado para o outro e tem uma paixonite por Brooks Griffin, o melhor amigo de seu irmão, sofre um trauma tão grande que acaba perdendo a voz. Sem saber como lidar com o problema, sua família se vê em uma posição difícil e tenta procurar ajuda, mas nenhum tratamento vai adiante. Ao longo dos anos, Maggie aprende sozinha a conviver com os ataques de pânico e, sem conseguir sair de casa, encontra refúgio nos livros.
A única pessoa capaz de compreendê-la é Brooks, que permanece sempre ao seu lado. A cumplicidade na infância se transforma em amizade na adolescência, até que um dia eles não conseguem mais negar o amor que sentem um pelo outro. Mas será que o forte sentimento que os une poderá resistir aos fantasmas do passado e a um acontecimento inesperado, que os forçará a navegar por caminhos diferentes? Fonte da Sinopse Editora Record

Seguindo uma minimaratona da série Elementos, o meu primeiro contato com livro 3 “O silêncio das águas” foi via audiobook e essa foi uma experiência bem diferente.

O livro começa com o pai da Maggie casando novamente; eles tem uma relação linda de pai e filha e juntos começam a construir uma dinâmica com a família da Katie (madrasta); Katie tem outros dois filhos, uma garota (Cheryl) e um garoto (Calvin) que os recebem muito bem, é nessa nova familia que Maggie conhece Brooke  o melhor amigo e vizinho do seu irmão (postiço).

O Silêncio das Águas

Maggie e Brooke são o casal mais estranho/ provável de toda a literatura que já vi ser construído, eles demoram uma vida inteira para serem um casal se pensarmos em definição da palavra (mas vamos guarda esse fato para o final). Maggie tem um crush nele desde a primeira vez que ela coloca os olhos nele, é tão fofo quanto irritante …coitado do Brooke.

É quando Maggie intima Brooke para um passeio na floresta que tem perto de casa para que eles possam se casar rs que o plot começa a se desenrolar, enquanto ela vai toda feliz e saltitante esperar pelo garoto dos seus sonhos, a menina presencia uma cena que a traumatiza; o medo faz com que Maggie  desenvolva ataques de pânico, a garotinha feliz e falante já não consegue mais se comunicar, nem sair de casa. O trauma mudo o curso da vida da garota e de todos que a cercam.

Todo mundo tem uma parte de si que escolhe silenciar.

Brooke se sente culpado por não ter ido/ chegado a tempo de proteger Maggie e a partir daí ele se torna a única pessoa que realmente a compreende. Acompanhamos a adolescência deles, o início da vida adulta, a mudança dos sentimentos; são os livros e a música que facilitam a interação entre eles dois, enquanto Maggie se refugia nos livros e vai decidindo aos poucos que nunca mais sair de casa, Brooke usa a musica para se comunicar com ela, a ponte entre eles são as leituras conjuntas ou compartilhas e as melodias, porém por mais que Maggie tenha paralisado sua vida e Brooke tenha se tornado a única interação forte com o mundo de fora chega um determinado momento que ele precisa seguir a vida e faz isso indo viver de música (o que foi sempre o sonho dele).

 A pessoa nunca lê um livro incrível duas vezes e sai dele com as mesmas convicções.

Com uma narração em primeira pessoa que alterna entre o ponto de vista de Maggie e Brooke o texto é fluido, acompanhar o dia a dia deles  próximos ou separados é fácil, o que nos desespera é  que Maggie não percebe  que ao se fechar para o mundo limita não só as possibilidades de Brooke mas sim todas as relações que a cerca, seus irmão são deixados de lado pois a família passa a gira em torno do trauma dela , sua irmã se torna meio rebelde sem causa porque quer atenção , seus pais já não tem mais tempo de trabalhar na relação deles pois estão sempre preocupados com o que a próxima crise pode causar nela.

Nem todas as coisas quebradas precisam ser consertadas. As vezes elas só precisam ser amadas. Seria uma vergonha se somente quem fosse completo fosse merecedor do amor.

No fim essa é uma história que fala sobre medo, perda e o medo de perder, sobre família e esperança; apesar de gostar muito do tema abordado a escrita não conseguiu me convencer da maneira em que foi estruturada, por mais que na cabeça de Maggie existisse toda uma lógica para agir durante todos os anos,o acontecimento que a fez quebrar o padrão foi na minha opinião simples demais, me deu a impressão que era tudo raso demais.

Depois de escutar o audiobook e terminar a leitura sem saber se tinha amado ou odiado a leitura fui conferir a edição física do livro e na edição tem uma nota da autora que diz que esse foi o livro mais difícil de escrever com relação aos outros da série, o que reforçou um pouco a minha ideia de que a autora se perdeu durante a escrita e achou uma saída fácil demais para a personagem superar os traumas. Isso não diminui em nada a lição de que só o dono da dor sabe o quanto realmente doí. Alguém ai já leu esse livro ? O que vocês acham das saídas fáceis que os autores tiram da manga para amarrar uma história e faze-la chegar ao “Happy end” ?

O silêncio das águas
Autora: Brittainy C. Cherry | Editora: Record
Páginas:  364 | ISBN: 13: 9788501109644
Skoob | Goodreads
Para lerhttps://amzn.to/2N77u1i

Ósculos e Amplexos, Karina.

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