Feminismo em comum, da Marcia Tiburi

7 de maio de 2018

feminismo em comum

Feminismo em comum foi um dos pequenos livros que mais demorei para ler na vida, com certeza. Não porque ele não rendeu, mas porque eu estava de férias.

Primeiro livro feminista escrito pela filósofa Marcia Tiburi, autora do sucesso Como conversar com um fascista. Lançamento do selo Rosa dos tempos.
Podemos definir o feminismo como o desejo por democracia radical voltada à luta por direitos de todas, todes e todos que padecem sob injustiças sistematicamente armadas pelo patriarcado. Nesse processo de subjugação, incluem-se todos os seres cujo corpo é medido por seu valor de uso – corpos para o trabalho, a procriação, o cuidado e a manutenção da vida e a produção do prazer alheio –, que também compõem a ampla esfera do trabalho na qual está em jogo o que se faz para o outro por necessidade de sobrevivência.
O que chamamos de patriarcado é um sistema profundamente enraizado na cultura e nas instituições, o qual o feminismo busca desconstruir. Ele tem por estrutura a crença em uma verdade absoluta, que sustenta a ideia de haver uma identidade natural, dois sexos considerados normais, a diferença entre os gêneros, a superioridade masculina, a inferioridade das mulheres e outros pensamentos que soam bem limitados, mas ainda são seguidos por muitos.
Com este livro, Marcia Tiburi nos convida a repensar essas estruturas e a levar o feminismo muito a sério, para além de modismos e discursos prontos. Espera-se que, ao criticar e repensar o movimento, com linguagem acessível tanto a iniciantes quanto aos mais entendidos do assunto, Feminismo em comum seja capaz de melhorar nosso modo de ver e de inventar a vida.

Feminismo em comum foi lançamento do inicio do ano do retorno do selo editorial Rosa dos Tempos. O livro tem como proposito informar sobre feminismo a pessoas que ainda não sabem muito bem do que se trata e também reforçar conceitos e ampliar o conhecimento para as pessoas que entendem sobre o que o Feminismo defende.

A crítica não é necessariamente  a destruição daquilo que se quer conhecer. Ela pode ser uma desmontagem organizada que permite a reconstrução do objeto anteriormente desmontado, (p. 10)

feminismo em comum

O livro aborda temas relevantes em capítulos curtos e diretos. O texto é fluído, coerente e nada pedante o que torna a leitura tranquila e nem um pouco cansativa. Eu li ele um pouco demorado demais, mas se eu tivesse dado a devida atenção ao material, provavelmente teria feito a leitura em apenas uma tarde.

Quem tenta destruir o feminismo é justamente quem tem medo do seu caráter transformador (p.44)

 

[…] o direito ao estudo é fundamental para qualquer pessoa e também para as mulheres. E que só esse direito pode nos livrar do sistema de violência física e simbólica que pesa sobre quem é marcado com mulher. (p.20-21)

O interessante de todo livro é que a Tiburi mostra que o Feminismo não é apenas a luta das mulheres por direitos iguais, mas também de todas as pessoas, independente do gênero, que querem uma sociedade mais igualitária, mais democrática, onde todos possam serem ouvidos e ouvir; que o feminismo é realmente para todas, todes e todos.

As mulheres representam uma imensa multidão de seres que não puderam se tornar quem eram, ou que desejavam ser, porque foram educadas para servir os homens. Para se tornarem seres que servem a outros seres sem esperar nada em troca. (p.79)

feminismo em comum

Apesar de ser um livro que tem (talvez) a intenção de informar o que é o Feminismo e o que ele de verdade defende, a leitura não é muito didática. A autora traz um bom embasamento teórico e a linguagem acaba puxando para o acadêmico, o que acaba talvez dificultando o entendimento de quem ainda é muito leigo no assunto. Para quem já tem uma certa noção sobre o Feminismo, o livro pode até trazer alguma novidade, mas tratará de assuntos já conhecidos para quem esta familiarizado com a questão.

Uma das maiores injustiças do patriarcado – ou a injustiça originária, aquela que se repete todo dia – é não tornar possível a presença das mulheres na história nem permitir que elas ocupem algum espaço de expressão na sociedade.

Feminismo em comum é um livro  não só para aqueles que querem entender realmente o que o Feminismo é, mas também para aqueles que lutam por uma sociedade igualitária na questão do gênero e de tantas outras causas

Feminismo em comum
Autor: 
Marcia Tiburi| Editora: Rosa dos Tempos
Páginas: 126 | ISBN: 9788501113511
SkoobGoodreads
Para ler: Amazon


Mil beijos e até mais!

Drops da Prateleira Abril 2018

4 de maio de 2018

Drops da Prateleira Abril 2018

Abril acabou! Acabaram as férias também e já estamos rumando para a metade do ano. Desculpa não quero assustar vocês, mas é a mais pura verdade. Então vamos ao Drops da Prateleira Abril 2018 para contar tudo que aconteceu no mês passado nas bandas de cá da vida.

O mês de abril já começou bem com o Encontro de Livreiros da Arqueiro/Sextante e a oportunidade de conhecer as novidades para esse semestre da editora e reencontrar os amigos literário tudo.

Na segunda semana, entrei de férias do trabalho (apenas 18 dias) e fui ao RJ matar as saudades dos familiares. Foi um final de semana corrido, porém feliz. Voltamos para São Paulo com o coração quentinho. Nessa semana também teve a I Feira do Livro da UNESP e acabei comprando 3 livros por lá. Eles provavelmente irão aparecer no Book Haul de abril. Queria ter comprado mais, porém a falta de espaço da estante falou mais alto!

Em fevereiro, eu e Eduardo fizemos uma sessão de fotos com a linda da maravilhosa da Sharon Eve Smith. Era um sonho muito grande ser clicada por ela e quando propus isso para o Eduardo, ele topou na hora. Então nesse mês as fotos foram entregues e a gente ficou maravilhado com o resultado. Em breve eu vou fazer um post mostrando um pouquinho de como foi essa manhã de domingo de carnaval.

Foto feita pela Sharon Eve Smith

Na terceira semana, a gente aproveitou para botar a mão na massa e consertar alguns probleminhas do nosso apartamento. Então teve mini-reforminha que a gente mesmo que fez e o resultado ficou bacana. Até contei um pouquinho do que fizemos nesse post aqui. Agora rumo para colocar os armários e terminar de vez a mudança!

A última semana do mês, e consequentemente das férias, começou com show maravilindo do Radiohead que é a minha favorita. Foi o segundo show da banda que eu fui (contei sobre o primeiro show aqui) e vou fazer um post contando como foi essa segunda experiência. Nesse dia também foi aniversário do Eduardo e a gente saiu para comemorar! Depois do show e de toda a reforma, rolou o momento limpeza da bagunça e finalmente uns dias de descanso que finalizaram com filme no cinema (isto é um milagre!) para ver Os Vingadores: Guerra Infinita, e muita conversa, comida e companhia dos amigos.

Porque eu amei demais essa foto desfocada esperando o show começar!

ASSISTINDO: nada por aqui. Como o mês foi bem focado em algumas coisas que precisavam ser feitas, acabou que não rolou série nova por aqui. Só muito CSI (todos os 3), muito Law and Order SVU e quando estávamos de saco cheio de qualquer outra coisa, assistia Os Simpsons. Ou então ia dormir porque o cansaço batia forte! De filme, assisti finalmente O lar da Srtª Peregrine para crianças peculiares, e no cinema, Os Vingadores: Guerra Infinita, como já tinha dito antes.

OUVINDO: A mesma coisa do mês passado. Na verdade, ando escutando muita rádio (que eu amo!). Mas fiz post falando dos dois álbuns que escutei muito no mês de março.

LENDO: N-A-D-A. Juro para vocês! Depois de 3 meses com uma média de 7 livros mensais eu não consegui finalizar um livro se quer. E eu tinha planos de adiantar várias leituras, mas não rolou! Estava bem feliz com minha dinâmica de leitura esse mês, mas parece que perdi a força e dei uma diminuída no ritmo. Vocês podem conferir as resenhas de 2 livros lidos nos últimos tempos: Coragem e A Livraria

NAVEGANDO: desde o meu post de janeiro do Amorzices eu havia prometido que iria indicar mais blogs por aqui, principalmente os que acompanho. Então em todo Drops da Prateleira, eu vou indicar um blog que adoro ler e que merece ser mencionado por aqui para mais pessoas possam conhecer e seguir.

  • Nosso Relicário: o blog da Sté e do Allan é muito gostoso de ler! Eles falam sobre o seu cotidiano, sua casa e seus dois dogs muito amor! Estou sempre vendo as novidades também através do Instagram que é recheado de fotos inspiradoras e amorzinho!

Maio vai ser um mês loooongoooo! Mas acho já fico bem felizinha porque ele começou com um feriado e vai terminar com mais outro. E assim vamos seguindo com 2018 que ainda tem muito chão para frente!.

2 álbuns #3: Wanderer e I’m not your man

30 de abril de 2018

Oi pessoas!

Depois de muuuiiiitoooooo tempo, voltei com esse post que adoro fazer, dando algumas indicações musicais: é o 2 álbuns #3. Quem me conhece, sabe que meu gosto musical é mais puxado para o Indie e por isso estou sempre a procura de artistas nesse estilo.

Aí que sou uma grande fã da playlist Descobertas da Semana do Spotify. Essa playlist basicamente é formada com o apoio de algoritmo que faz uma varredura nas musicas que escutei nos últimos tempos e cria uma lista com músicas e artistas que são relacionados ao meu gosto musical. Gente, eu já descobri cada coisa maravilhosa que vocês nem imaginam. É ótimo para sair da zona de conforto sem sair da zona de conforto (vocês me entendem né?!)

Foi assim que eu descobri a Marika Hackman: pela playlist Descobertas da Semana.

I’m not your man

Marika Hackman é uma cantora inglesa de indie e folk e a primeira música que ouvi da cantora, Ophelia, não foi desse álbum que vou apresentar, mas foi o suficiente para querer conhecer o seu trabalho. Então comecei pelo álbum mais recente da artista: o I’m not your man. Fiquei meio viciadinha e nas últimas vezes só ouvia isso no iPod. Eu gosto muito dos vocais e da pegada mais rock que esse álbum (diferente do outro disco que também já ouvi), mas se esquecer as raízes.. Eu gostei de quase todas as músicas, cada uma tinha algo bacana que fazia eu ouvir mais. Então já sabem que foi difícil escolher as minhas preferidas:

Boyfriend | Gina’s World | Violet | Time’s been reckless | Apple Tree
Menções honrosas para: So long e Estbound Train

Sentiram que foram quase todas as músicas. Se quiserem conhecer mais sobre a artista é só acompanhar o seu trabalho pela página oficial e as redes sociais:

Site | Facebook | Instagram | Twitter | Youtube

Wanderer

Vou confessar para vocês que sou uma pessoa altamente influenciável. Wanderer é o álbum da artista alemã Mogli, que eu conheci graças ao InstaStories da Gabi Barbosa (obrigada Gabi!). Eu ouvi o som e na hora sai “correndo” para pesquisar de quem era aquela voz encantadora.

A primeira música que ouvi da Mogli foi Alaska, que faz parte do álbum Wanderer. A história desse álbum é bem interessante. Mogli e seu namorado que é cineasta, decidiram embarcar em uma expedição pelo mundo: o Expedition Hapiness. O namorado ficou responsável por capturar momentos de toda a aventura e ela em compor a trilha sonora. O resultado foi um documentário super premiado e um álbum muito maravilhoso de ouvir.

Wanderer é super gostoso de ouvir. Eu realmente me apaixonei pelo álbum na primeira ouvida. A voz da Mogli é apaixonante bem do estilo de timbre que eu gosto de ouvir. Um instrumento muito presente nas canções foi o piano, já que ela levou um pela expedição e pode trabalhar nas composições com ele.  As minhas músicas favoritas do Wanderer são:

Milky Eyes | Two Lungs | Alaska | Waterfall |

Além do site oficial, vocês podem acompanhar a cantora pelas principais redes sociais. Particularmente, eu adoro ver suas fotos no Instagram:

Site | Facebook | Instagram | Youtube

Então curtiram as minhas indicações musicais? Já conheciam as duas artistas e os seus trabalhos? Se conhecem algum outro artista nessa pegada pode indicar aí nos comentários. Vou ter o maior prazer de ouvir. Aproveitem e me sigam lá no Spotify.


Mil beijos e até mais!

A livraria, de Penelope Fitzgerald

25 de abril de 2018

A livraria

Oi pessoas

Nem preciso falar que o título foi o que mais me chamou a atenção para esse livro. A livraria, da Penelope Fitzgerald, chegou por aqui através da parceria que o blog tem com o Grupo Editoral Record.

O livro que deu origem ao filme estrelado por Emily Mortimer, de A ilha do medo, e Patricia Clarkson, de House of cards.
Florence Green, uma viúva de meia-idade, decide abrir uma livraria — a única — na pequena Hardborough, uma cidade costeira no interior da Inglaterra. Florence não esperava, contudo, que seu projeto pudesse transformar Hardborough em um campo de batalha: enquanto a influente e ambiciosa Violet Gamart, que tinha outros planos para a centenária casa que ela escolheu como sede, faz de Florence sua inimiga, a empreendedora também conquista um aliado na figura do excêntrico Sr. Brundish.
Na história de Florence Green enfrentando a cortês mas implacável oposição local, vê-se a denúncia de uma estrutura de privilégios apoiada em invejas e crueldades, e, no microcosmo de Hardborough, Penelope Fitzgerald monta um cenário repleto de detalhes precisos e personagens atemporais.

A livraria

A Livraria é o meu tipo de livro: história tranquila despretensiosa e sem muita enrolação. Os personagens são construídos de forma simples, mas conseguimos captar suas essências através das ações. Os diálogos conseguem ser crus, beirando um pouco a crueldade e dar para notar como estavam os ânimos das pequenas cidades inglesas no pós-guerra. Porém acredito que esse último tópico foi apenas um detalhe acrescido pela  autora para situar a obra no espaço-tempo.

Outro item presente na obra é o peculiar humor inglês. Aquele humor difícil de notar e que na verdade, acho só eles conseguem entender. Ele pode ser bem notado na ajudante da Florence na livraria. As falas dela eram as mais  da

Uma parte bem curiosa do livro, é quando a personagem principal, Florence, decide vender em sua livraria o controverso livro Lolita, de Vladimir Nabokov. Foi bem interessante ter uma pequena noção de como a sociedade reagiu a publicação da obra.

Apesar de ter terminado de uma forma um tanto quanto inesperado para mim, A livraria tem uma trama muito agradável de acompanhar. O leitor cria uma certa expectativa que é quebrada pela maneira como Fitzgerald conduz a história. A gente acha que vai rolar um final fofinho e cheio de clichês, mas a real é que o fim beira a crueldade. Acho que a intenção verdadeira da autora era mais revelar ou talvez denunciar como eram as relações sociais nas pequenas cidades inglesas e como quem tem poder consegue desmoralizar quem está apenas ali fazendo um pequeno trabalho e vivendo a vida da forma mais simples e tranquila possível.

Pode parecer muita pretensão minha ou apenas desconhecimento literário, mas achei a autora com uma escrita um tanto quanto parecida com a da Jane Austen, na forma como constrói os personagens e/ou leva a sua trama.  A diferença é que Austen termina a suas histórias de forma fofinha (hehehe!)

É muito estranho ver uma autora, como a Fitzgerald, com uma qualidade tão boa em sua escrita possa ser tão desconhecida no mundo literário. Depois de conhecer a sua obra e ler um pouco sobre sua vida (para fazer essa resenha), fiquei muito curiosa para ler suas outras obras (e nem são tantas assim).

A livraria
Autor: 
Penelope Fitzgerald| Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 160 | ISBN: 9788528622829
SkoobGoodreads
Para ler: Amazon

 


Mil beijos e até mais!