Fale!, de Laurie Halsen Anderson

16 de junho de 2017

Fale!, de Laurie Halsen Anderson

“Fale sobre você… Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia. E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra (insultos e deboches, sim) ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir. Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?
Fonte da sinopse Editora Valentina

Fale! é um livro amplamente discutido no currículo de alunos americanos e vencedor do prêmio de melhor livro do ano concedido pela School Library Journal. O que faz de Fale! Um livro tão incrível? É que apesar do título ele trata justamente do contrário, ele fala sobre o silêncio de uma garota e como o silêncio pode moldar vidas.

Tem um monstro nas minhas entranhas, posso até ouvi-lo arranhando minhas costelas. Mesmo quando descarto a lembrança, ela continua comigo, me ferindo.

Melinda a protagonista era uma garota normal, até participar de uma festa de veteranos que comemoravam o início das férias de verão; um lugar onde só tinham adolescentes e a bebida era liberada, antes do termino da festa Melinda liga para a polícia e acaba como a dedo duro que estragou a festa.

A partir da fatídica festa Melinda muda, torna-se mais introspectiva, comas aulas voltando e as pessoas na escola não sendo um modelo de receptividade, Melinda fala cada vez menos e deprimida cada vez mais, essa boa de neve de sentimentos e dias escolares  nos tira a paz e nos faz seguir num ritmo alucinado pagina a página para saber o que diabos aconteceu (até dá pra desconfiar do que aconteceu, mas queremos saber como e quem estava envolvido).

As plantas produzem muito mais sementes do que precisam, porque sabem que a vida não é perfeita e que nem todas vão germinar.

A narração é em primeira pessoa, segue os dias na escola e os pensamentos da personagem, com pais relapsos que não prestam atenção a vida da garota ( se importando e exigindo apenas boa notas) é na aula de artes que Melinda começa a processar que precisa fazer algo para sair do desespero em que vive; é aí que o professor Freeman aparece e ganha destaque, ele é um professor que acredita que dar voz aos seus alunos os tornarão seres humanos melhores.

Meus pais não me deram uma educação religiosa. O que a gente mais chega perto de louvar é a trindade Visa-MasterCard-American Express.

Com um plot real o livro nos faz perceber o quanto é difícil encontrar alguém que escute, então se você passa ou passou por uma situação semelhante Fale! Se preciso grite; mesmo que trate de um tema pesado Melinda não é só a vítima triste há diversas passagens no livro que vamos rir com o sarcasmo dos pensamentos dela.

Fale!

A edição brasileira tem extras que são tão importantes quanto o assunto do livro, tem um número de telefone no Brasil que é um canal de ajuda as pessoas que necessitarem, além de questões para discussões em sala de aula ou reflexão após o termino do livro. Se você ficou muito curioso e não dá para correr agora até a livraria mais próxima a boa notícia é que o livro foi adaptado para o cinema como o nome de “ O silêncio de Melinda” e está disponível no youtube.

Fale!
Autora: Laurie Halse Anderson | Editora: Valentina
Páginas: 247 | ISBN: 9788565859073
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Para ler: Amazon | Saraiva


Ósculos e Amplexos, Karina.

Um ano sem anticoncepcional

14 de junho de 2017

Não sei precisar exatamente quando foi que decidi parar de usar a pílula anticoncepcional, só sei dizer que foi no mês de maio. Mas posso dar certeza que a vida ficou mais leve depois que decidi não usar esse remédio como método contraceptivo.

Sou filha de uma geração que tomou e toma anticoncepcional como o principal método para evitar neném e devido a isso fui influenciada de certa forma. Porém vivemos novos tempos e refletir sobre as coisas que consumimos é algo ainda novo, mas que cada vez mais pessoas estão fazendo (ainda bem!)

Para começar, não parei com a pílula porque estou planejando engravidar. Muito pelo contrário, ter filhos é um plano para o futuro. Só troquei o método contraceptivo. Claro que o meu risco de ter filhos fora do plano aumentou.

Já havia algum tempo que queria parar, mas sempre tinha medo. Na verdade, o medo era de engravidar sem ter planejado. Parei e pensei: se caso eu pare o remédio e fique grávida por descuido ou infortúnio, então era para eu ficar grávida mesmo. Depois de ter pensado e resolvido essa primeira questão, passei a refletir sobre outros aspectos do uso da pílula. Outros questionamentos surgiram: Preciso mesmo de pílula para evitar neném? Será mesmo que aquilo está só evitando bebês ou está afetando alguma outra coisa em meu corpo? Quais são efeitos do uso desse remédio a longo prazo em minha saúde? Será que sabemos mesmo quais são as consequências do uso da pílula para as gerações futuras?

Além das reflexões, outro fator que me impulsionou a parar com a pílula foram os crescentes casos de trombose que foram aparecendo nas mais aleatórias conversas. E casos cada vez mais próximos de mim. Para quem não sabe trombose, a grosso modo, é um coágulo sanguíneo que surge e pode se deslocar para outras regiões do sistema circulatório podendo provocar Infarto ou AVC. Apesar de não fazer parte do grupo de risco de trombose, levo uma vida um pouco sedentária e estressante e, aliada ao uso de pílula, poderia acelerar esse processo. É claro que apesar de não usar mais pílula ainda posso ter trombose. Uma coisa não elimina totalmente a outra.

Estudei, conversei com diversas pessoas, li relatos pela internet (Super recomendo esse post aqui da Gabi Barbosa e também a leitura  dos comentários)

Após decidir realmente parar, conversei com Eduardo. Afinal de contas, somos um casal e bem ou mal, essa decisão influencia em nossa relacionamento, principalmente se algo sair do plano e acabarmos engravidando. Claro, que não parei de imediato. E antes de qualquer ação, marquei uma consulta com meu ginecologista e contei da minha decisão. Ele me orientou em algumas dúvidas sobre o meu ciclo, alguns diagnósticos que eu tinha, solicitou alguns exames e atualizou a minha ficha médica.

Uma coisa que quero alertar aqui: não faça nada antes de consultar o seu médico ou especialista. Cada pessoa usa a pílula para algo específico. Suspender o uso do remédio de forma errada pode afetar a sua saúde. Converse com seu médico. SEMPRE!

Pronto! Tudo acertado! Suspendi o uso do remédio e até hoje não consegui entender porque demorei 10 anos para parar. Sou outra Karin.

No início não senti muita coisa diferente, apenas que o meu fluxo havia diminuído de quantidade. Um pouco depois, começaram a aparecer as oscilações de humor e muitas espinhas na região das costas. Muitas mesmo! Minha libido aumentou e por isso sei exatamente quando estou ovulando. E os sintomas normais e naturais da TPM voltaram.

Com o tempo pude verificar outras mudanças mas significativas no meu corpo e na minha mente. Sei que alguns vão achar uma grande besteira, mas isso tudo que irei relatar parte da minha experiência.

  • Corpo e peso: se você olhar as minhas fotos lá por volta de maio/2016 verá que estou com o rosto um pouco redondinho. Isso se deu muito ao fato de estar com a minha alimentação desregulada e falta de exercícios. Coisas que logo depois comecei a mudar. Porém após parar a pílula senti que ficou um pouco mais fácil perder peso. Vou explicar: por mais que eu melhorasse a alimentação enquanto fazia uso do remédio, eu ainda tinha a sensação de estar sempre inchada e isso era visível no meu rosto redondinho. Hoje sinto que meu corpo está um pouco flácido e associo isso ao fato de não ficar inchada como costumava ficar. A pílula dava um viço na pele e que agora busco isso através de boa alimentação e
  • Cabelo: é claro que o cabelo ficou mais oleoso. Eu conseguia lavá-lo a cada dois dias. Agora tem que ser lavado todos dias ou então assumir um dia sem lavar e viver com a  sensação de que estou grudando toda a sujeira do mundo na minha linha do cabelo e a aguarda ansiosamente pela hora do chuveiro.
  • Rosto: nunca fui de ter muita espinha rosto. Logo depois que fiz 20 anos começaram a surgir muitas espinhas estranhas nele esse, associado a outros, foi um dos motivos de eu ter começado a tomar pílula. Quando eu parei, eu já sabia que isso iria voltar. Aliás esse era o meu maior temor. No início. Outras coisas também mudaram: a textura da pele, os poros mais dilatados que notei sobre a pele sobre a pele que notei foi a textura da pele: os meu poros ficaram mais dilatados e a manchas surgiram, principalmente as provocadas pelas espinhas.
  • Espinhas: as temidas. E elas apareceram sim! Mas com hora marcada. Deixa eu explicar: as espinhas retornaram de forma mais branda, porém intensa. E sempre logo após o meu período fértil, que é quando o nível de oleosidade no corpo aumenta. Dá para viver com elas, mas preferi ir ao dermatologista para poder cuidar da forma correta. Tenho feito um pequeno ritual diário para isso e que tem me ajudado muito. Ela continuam aparecendo, mas de forma mais leve e controlada.
    O que ocorreu de estranho se tratando de espinhas é que logo após eu ter parado de usar, acho que uns 3 meses depois, começaram a surgir espinhas e cravos por toda as costas. Coçava muito e algumas eram até doloridas. Esse quadro ficou por uns 2, 3 meses, mas logo depois sumiu e não apareceu mais até o momento
  • Psoríase: para quem não sabe sofre de Psoríase que é uma doença auto-imune (sem cura) e que dá algumas feridas e manchas em diversas partes do corpo. Na verdade, eu queria saber se havia alguma relação da doença com uso do anticoncepcional. Assim que eu parei, o principal sintoma havia sumido também, mas logo depois as manchas no corpo retornaram. Então não tem nenhuma relação e sigo vivendo com minha doença normalmente.
  • Humor: Ahhhh, o humor. Diria que esse é a grande desvantagem em ficar sem pílula. Meu humor tem oscilado bastante. Tem dias que fico insuportável que nem eu mesmo me aguento. Além disso, fiquei muito mais chorona do que já sou e as “bad vibe” tem surgido com mais frequência. As bads são as piores para mim. Eu fico em um estado de tristeza que beira a depressão: choro muito, só quero ficar na cama, dormir, penso que a vida é uma bosta e a vontade de fazer qualquer coisa é zero. Ainda não sei muito bem o que fazer para melhorar meu humor nesses dias da minha vida. Mas estou aberta a sugestões.
  • O psicológico: isso mudou. Tanto para bem quanto para o mal. Como disse acima tenho tido mais crises de tristeza. Fico muito mal mesmo quando ocorre. Quase não me reconheço. Por outro lado, me sinto melhor em algumas questões. Pode parecer estranho mas me sinto mais feminina, mais aberta, desinibida e quero dizer desinibida como menos retraída. Sei lá, me sinto mais solta. Psicologicamente falando! E isso é bom. Não sei explicar muito bem. Só sei que me sinto assim agora.

Após essa avaliação, o que pude perceber é que o anticoncepcional mascarava muitas coisas em minha vida. Ele dava uma juventude em minha pele, cabelo e corpo que não eram minha de verdade. Mas a troco de quê que esses “benefícios” me custarão no futuro? Essa “falsa juventude” é uma conta que não quero pagar.

A ideia desse post é compartilhar um pouco da minha experiência e ser uma fonte de informação para quem está pensando em começar ou parar com o uso de anticoncepcional como método contraceptivo. Leia bastante, pesquise bastante, avalie e sempre, eu repito, SEMPRE, consulte o seu médico antes de qualquer decisão.

Outra coisa, não quero aqui pregar um fundamentalismo de abaixo a pílula, até porque eu usei por muito tempo. Só você pode saber o que é melhor para você. Tomar pílula ou não tomar é uma decisão sua e você deve ser livre e respeitada pela sua escolha.


Mil beijos e até mais!

 

50 perguntas #22 | Eu sou eu

11 de junho de 2017

50 perguntas #22

50 perguntas #22: Por que você, é você?

Sou Karin Bezerra de Oliveira, 32 anos, mulher, bibliotecária, filha de Maria e Valtair, irmã de 4 rapazes, em um relacionamento de 9 anos com Eduardo, moradora do planeta Terra.

Por que eu, sou eu? Difícil pergunta!

Na verdade acredito que é uma junção de diferentes fatores. Eu sou Karin primeiramente pela ciência. Sou uma combinação única de genes, DNA e toda essas coisas que os biólogos, geneticistas sabem explicar melhor.

Depois disso, sou quem eu sou por conta das mais variadas experiências que tive ao longo desses 31 anos de existência. É muito complexo explicar, mas tudo o que vi, ouvi, senti e vivenciei, fazem parte do que sou e que  me moldou como pessoa.

Talvez se não tivesse passado por determinadas experiências eu não seria quem sou hoje: se eu tivesse tido pelo menos uma irmã dentro de tantos irmãos que tenho; se eu tivesse passado em uma prova de admissão para uma escola eu teria tido outras experiências na vida escolar; se eu tivesse feito algo diferente, eu não teria conhecido pessoas sensacionais na minha vida; se tivesse pensado 5 minutos a frente não teria feito muitas burrices.

Mas é assim mesmo:  somos feitos de acertos e erros.

Os diversos caminhos, os diferentes rumos que escolhi ou que a vida me encaminhou são coisas que moldaram (e continuam moldando) a minha vida, a minha personalidade, a minha visão do mundo. Sou o fruto das experiências que vivo.

Somos feitos não só de DNA, mas de tudo aquilo que vivemos ao longo de cada segundo de dia que temos!

Porque você é você?


Mil beijos e até mais!

Esse post faz parte do Projeto 50 perguntas que irão libertar sua mente. Caso tenha interesse em conhecer outras perguntas publicadas e as minhas respostas, clica aqui

Para educar crianças feministas, Chimamanda Ngozi Adichie

9 de junho de 2017

Para educar crianças feministas

Se alguém me perguntasse que livro você indicaria para salvar a humanidade, eu diria: Para educar crianças feministas, Chimamanda Ngozi Adichie. Com total certeza, de olhos fechados e a mão no fogo.

Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.
Fonte: Companhia das Letras

Para educar crianças feministas é um manifesto que se originou depois que uma amiga da Adichie a questionou perguntando como ela poderia criar um filho dentro de preceitos da igualdade de gênero. O livro conta com 15 sugestões de como educar uma criança dentro desses preceitos.

A proposta dele é ser bem parecido com outro livro da mesma autora, o Sejamos todos feministas: a intenção não é jogar um monte de regra ou falar “faça isso, faça aquilo“, e sim mostrar aos leitores que, com ações simples, pequenos conselhos, podemos criar crianças para uma sociedade mais justa e mais igualitária no que se refere a gênero, sim.

A leitura é super rápida, simples e objetiva. A autora faz a sugestão, mostra o porquê e dá exemplos concretos de como colocar em prática aquilo que se propõe. Não há explicações filosóficas ou sociológicas para aquilo. Ela parte da experiência e observação do seu cotidiano e conta o que os pais podem fazer para diminuir (ou até mesmo extinguir) as desigualdades existentes na criação de meninos e meninas. A única coisa que não curti muito foi o fato de todo texto está voltado para a criação de meninas. Acho que ele teria mais força se houvesse na fala da autora algo direcionado para a criação de ambos os gêneros. Sei que esse livro foi feito a partir de uma carta escrita para uma pessoa que acabou de ter uma menina e por isso todo o texto é direcionado nesse sentido. É um mero detalhe que não muda o objetivo do livro.

Enquanto lia o manifesto e as sugestões ali propostas, comecei a refletir como a sociedade ensina crianças desde cedo a enfatizar as diferenças entre os gêneros que, na maioria das vezes, não existem. Sério, às vezes, dava até uma revoltinha durante a leitura, porque você passa a perceber como pequenos gestos que praticamos na criação das crianças causam um grande abismo entre homens e mulheres.

Refleti sobre mim, sobre minha criação doutrinada pelo senso comum recheado de “isso é de menina, aquilo é de menino” ou “isso é para meninos / meninas” e pensei o quanto poderia ser diferente se essas coisas não tivessem sido partes da minha formação. Eu provavelmente seria uma outra pessoa, uma pessoa diferente até na forma de agir, de pensar de falar em diversas situações da vida e nas relações sociais. Não estou culpando meus pais por essa criação. Eles fizeram o melhor para mim com aquilo que eles tinham e sabiam. E se analisarmos também eles foram vítimas dessa cultura que ensina crianças a serem desiguais em relação ao gênero. Com total certeza, se fosse hoje, muita coisa seria diferente quase eles fossem pais de mais uma criança.

Recomendo todo mundo ler esse livro. É sério! Pais, avós, tios, familiares, gente que quer ter filho, gente que não quer ter filho.

Deve ser livro de cabeceira. Deve ser presente de chá de bebê. Deve ser um tratado de paz para a humanidade.

Para educar crianças feministas
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie | Editora: Companhia das Letras
Páginas: 96 | ISBN:9788535928518
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