A livraria, de Penelope Fitzgerald

25 de Abril de 2018

A livraria

Oi pessoas

Nem preciso falar que o título foi o que mais me chamou a atenção para esse livro. A livraria, da Penelope Fitzgerald, chegou por aqui através da parceria que o blog tem com o Grupo Editoral Record.

O livro que deu origem ao filme estrelado por Emily Mortimer, de A ilha do medo, e Patricia Clarkson, de House of cards.
Florence Green, uma viúva de meia-idade, decide abrir uma livraria — a única — na pequena Hardborough, uma cidade costeira no interior da Inglaterra. Florence não esperava, contudo, que seu projeto pudesse transformar Hardborough em um campo de batalha: enquanto a influente e ambiciosa Violet Gamart, que tinha outros planos para a centenária casa que ela escolheu como sede, faz de Florence sua inimiga, a empreendedora também conquista um aliado na figura do excêntrico Sr. Brundish.
Na história de Florence Green enfrentando a cortês mas implacável oposição local, vê-se a denúncia de uma estrutura de privilégios apoiada em invejas e crueldades, e, no microcosmo de Hardborough, Penelope Fitzgerald monta um cenário repleto de detalhes precisos e personagens atemporais.

A livraria

A Livraria é o meu tipo de livro: história tranquila despretensiosa e sem muita enrolação. Os personagens são construídos de forma simples, mas conseguimos captar suas essências através das ações. Os diálogos conseguem ser crus, beirando um pouco a crueldade e dar para notar como estavam os ânimos das pequenas cidades inglesas no pós-guerra. Porém acredito que esse último tópico foi apenas um detalhe acrescido pela  autora para situar a obra no espaço-tempo.

Uma parte bem curiosa do livro, é quando a personagem principal, Florence, decide vender em sua livraria o controverso livro Lolita, de Vladimir Nabokov. Foi bem interessante ter uma pequena noção de como a sociedade reagiu a publicação da obra.

Apesar de ter terminado de uma forma um tanto quanto inesperado para mim, A livraria tem uma trama muito agradável de acompanhar. O leitor cria uma certa expectativa que é quebrada pela maneira como Fitzgerald conduz a história. A gente acha que vai rolar um final fofinho e cheio de clichês, mas a real é que o fim beira a crueldade. Acho que a intenção verdadeira da autora era mais revelar ou talvez denunciar como eram as relações sociais nas pequenas cidades inglesas e como quem tem poder consegue desmoralizar quem está apenas ali fazendo um pequeno trabalho e vivendo a vida da forma mais simples e tranquila possível.

Pode parecer muita pretensão minha ou apenas desconhecimento literário, mas achei a autora com uma escrita um tanto quanto parecida com a da Jane Austen, na forma como constrói os personagens e/ou leva a sua trama.  A diferença é que Austen termina a suas histórias de forma focinha (hehehe!)

É muito estranho ver uma autora, como a Fitzgerald, com uma qualidade tão boa em sua escrita possa ser tão desconhecida no mundo literário. Depois de conhecer a sua obra e ler um pouco sobre sua vida (para fazer essa resenha), fiquei muito curiosa para ler suas outras obras (e nem são tantas assim).

A livraria
Autor: 
Penelope Fitzgerald| Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 160 | ISBN: 9788528622829
SkoobGoodreads
Para ler: Amazon

 


Mil beijos e até mais!

A doce dor da reforma

19 de Abril de 2018

reforma

Olá pessoas!

Já rolou a visita a família no Rio, está rolando reforminha aqui em casa, mas o que não está rolando é post aqui no blog. Motivos: falta de tempo e uma tendinite que apareceu do nada.

Do nada não, já ando tendo essas dores há algumas semanas. Elas aparecem, aí eu mudo alguma rotina e a dor passa. Só é eu sair um pouquinho dos trilhos ela volta. E como ando fazendo alguns esforços repetitivos, ela está bem presente durante essa semana.

Ela está aqui nesse momento, me incomodando. Deveria estar fazendo esse post? Não deveria. Mas está doendo tanto quando estou em repouso que decidi vir aqui escrever um pouco para esquecer a dor. O que não é muito lógico, eu sei, já que não é recomendado ficar aqui escrevendo, né!

A rotina está corrida. Muito mais do que imaginei que iria ficar e logo logo vou retornar ao trabalho. O que eu tinha planejado para fazer nas férias não vai acontecer. O que me deixa feliz é que finalmente estou fazendo algo que sempre sonhei desde que comecei a morar na minha casa: terminar a reforma e decorar todos os ambientes.

Estou muito empolgada pensando como vai ficar. É o que está me motivando na obra. Fico lá lixando a parede e pensando como vai ser com o guarda-roupa, com a cortina e toda a decoração que quero colocar. É meio que um alento dentro do caos que está a casa com coisas entulhadas nos quartos e pó para tudo que é lado.

Bom, vou seguindo por aqui e logo logo trago a programação normal nesse blog. Espero que essa dor passe também!


Mil beijos e até mais!

O dolce far niente das férias

10 de Abril de 2018

Oi pessoas!

Sim, estou de férias! Esse ano eu e Eduardo decidimos dividi-la em 2 períodos: um agora em abril e o outro em setembro.

A gente não planejou viajar, então esse período vai ser dedicado a descansar, visitar a família e fazer coisas que demandam um pouco mais de atenção, dedicação e tempo, como fazer pequenas reforminhas aqui em casa para readequar algumas coisas.

Eu tenho alguns planos para esses dias, mas o que quero mesmo é descansar e curtir o dolce far niente, ou seja, a doçura de não fazer nada. Sério, estou precisando muito me desligar das preocupações e responsabilidades e curtir assistir um filme ou série, jogar videogame, ler um livro ou dar aquela sonequinha maravilhosa da tarde.

Para começar esse período de não fazer nada aproveitei para fazer uma das coisas que mais gosto de fazer quando estou despreocupada com a vida: sessão de fotos.

Dessa vez tive a ajuda do Eduardo que foi controlando a câmera para mim e disparando os cliques. Coloquei uma playlist do Spotify e fui cantando e dançando enquanto a máquina ia registrando as imagens. Já falei o quanto é divertido e dá uma boa subida na auto-estima essas sessões de fotos.

Vou tentar fazer alguns posts das coisas que irei fazer nesse mês por aqui para vocês. Talvez eu registre através de vídeo também, não sei ainda! Talvez nem role nada porque vocês já sabem como é: eu acabo prometendo coisas para mim mesma e nunca consigo cumprir. Mas vamos ver como vai ser. O que posso prometer é muitas resenhas nesse blog nas próximas semanas.

Fiquem agora com algumas fotos da minha pessoa bem plena curtindo o meu dolce far niente!

dolce far niente

O que estou usando:
Camiseta:
T-shirt Factory | Shorts (que não aparece por ser curtinho): Levi’s
Batom: Chili (MAC) | Mascara: Lash Sensationals (Maybelline)

Playlist Spotify:
Girls Girls Girls


Mil beijos e até mais!

Coragem, de Rose McGowan

8 de Abril de 2018

Oi pessoas!

Coragem é uma autobiografia da Rose McGowan e que chegou por aqui através da parceria que o blog tem com a editora HarperCollins Brasil.

Rose McGowan se tornou uma das atrizes mais desejadas de Hollywood da noite para o dia quando foi “descoberta” nas ruas de Los Angeles. O estrelato logo se tornou um pesadelo de exposição constante e sexualização. Todos os detalhes de sua vida pessoal se tornaram públicos, e as realidades de uma indústria inerentemente machista emergiam a cada roteiro, papel, aparição pública e capa de revista.
Hollywood esperava que Rose ficasse quieta e cooperasse. Em vez disso, ela se rebelou e impôs sua verdadeira identidade e voz.
Ela reemergiu sem roteiros nem desculpas, corajosa, controversa e sempre verdadeira. Liderando o movimento de denúncias de assédio sexual na indústria de entretenimento ao expor os crimes de Harvey Weinstein, Rose é hoje um dos rostos do movimento feminista e não hesita ao disparar verdades inconvenientes e exigir mudanças.
CORAGEM é seu livro de memórias em forma de manifesto — um relato sem censura nem piedade da ascensão de um ícone millennial, uma ativista sem medo e uma força de mudança imparável determinada a expor a verdade sobre a indústria do entretenimento, trazer à luz uma indústria multibilionária construída sobre a misoginia sistêmica e empoderar pessoas ao redor do mundo a acordarem e terem CORAGEM.

Para quem não conhece, Rose McGowan é uma atriz americana que ficou muito conhecida pelo seu trabalho na série Charmed e recentemente, por seu uma das primeiras pessoas a denunciar os abusos sexuais (e até estupros) cometidos pelo produtor americano Harvey Weinstein. Em seu livro autobiográfico Coragem, ela vai contar a sua trajetória, desde a infância na Itália, até os dias atuais, mostrando a relação e carreira com Hollywood e como isso se assemelha a uma seita religiosa.

“Se você ama muito as Kardashian, você está numa seita. Se você assiste ao seu programa de tv favorito e entra na internet e em salas de bate-papo onde todos estão obcecados pelo mesmo programa e repassam os episódios em detalhes, você está numa seita. […] Você está vivendo a sua vida por meio de outras pessoas. Se vota em tal e tal pessoas cegamente, você está numa seita. Se está muito envolvida na máquina de propaganda do seu país, está numa seita. Olhe ao redor e veja onde as seitas estão, porque elas estão em todos os lugares.” (p.21)

Na primeira parte do livro, Rose McGowan vai contar sobre como era a vida na Itália sendo criada a partir das regras da seita religiosa Meninos de Deus. Ela vai mostrar os abusos e todas as coisas terríveis que teve que passar por viver dentro de uma doutrina abusiva e traumatizante.

Ao sair da seita e ir morar nos EUA, McGowan achou que sua vida iria tomar um rumo, mas na verdade os problemas só começaram. Ela teve que se virar para conseguir um pouco de dignidade na sua vida: ela morou nas ruas, viveu de cidade em cidade e isso tudo enquanto ela era apenas uma criança/adolescente.

Um assunto que está muito presente ao longo de todo livro é a imagem: a atriz vai falar sobre os distúrbios alimentares e com o corpo que enfrentou no inicio da vida adulta e o quanto teve que mudar para poder se encaixar em um “perfil padrão hollywoodiano”. E isso fico bem claro quando ela vai falar do seu cabelo e o porquê de ter cortado ele curto após anos de madeixas longas.

“Conheço muitas mulheres e meninas que me dizem que seus cabelos são uma capa de proteção e que elas se escondem atrás deles. Eu não só me identifico, como também acho isso devastador. Claro que você deve ter cabelo comprido se é isso que VOCÊ quer, mas analise suas motivações.” (p.13)

Eu fui impactada por muita coisa que li nesse livro: muitas frases foram grifadas e queria colocar tudo aqui, mas aí seria um post de citações e não de resenhas, né?! Rose McGowan vai contar também sobre a vida como artista e todas as implicações desse mundo com sua vida real. Ela vai tocar em muitos assuntos polêmicos como  aparência, relacionamento abusivo, empoderamento, feminismo e muitos outros assuntos que só lendo o livro para conseguir identificar.

Os relatos escritos nesse livro são fortes e em muitos momentos me senti enojada com toda a crueldade existente para tornar aquele filme que a gente amou tanto ser um sucesso. Ao ler o livro, me dei conta que curtia trabalhos de pessoas que beiram ao comportamento doentio e tóxico e que eram capaz de qualquer coisa para manter a sua fama e poder. Posso dizer que me fez refletir sobre o que ando consumindo como entretenimento.

Eu recomendo não só a leitura de Coragem, mas também de outros livros que contam histórias reais e mostram como a vida nã é tão simples e perfeita quanto o Hollywood e “tantas outras seitas” querem nos fazer acreditar. É um pontapé inicial para que possamos compreender como podemos ser manipulados e influenciados de maneira errada.

Coragem
Autor: 
Rose McGowan| Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 288 | ISBN: 9788595082830
SkoobGoodreads
Para ler: Amazon