A história de Malikah, de Marina Carvalho

12 de dezembro de 2018

A história de Malikah

Malikah foi escravizada e trazida da África ao Brasil ainda criança. Aqui, ela sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho de seu patrão. Apesar da gravidez ser fruto de uma relação de amor, ela foi castigada e teve que fugir até encontrar abrigo em uma fazenda onde os negros já podiam viver em liberdade. Nessa nova terra, Malikah pode morar em paz com seu filho mas, apesar de sua relutância, Henrique continua por perto, arrependido por não tê-la protegido e tentando se aproximar da criança. Mesmo ainda sentindo algo por ele, como ela conseguirá perdoar alguém que representa tantos anos de injustiça e sofrimento?
Fonte da sinopse GloboAlt

“A história de Malikah” traz na capa a informação de ser o livro 2 do  “O amor nos tempos do ouro” fazendo ilusão ao primeiro livro lançado pela Marina Carvalho também pela GloboAlt, mas essa história não trata de uma sequência e sim de um spin off .

Claro e escuro. Branco e preto. Certo e errado. Henrique e Malikah.

Esse é livro é um romance histórico de um período que quase nunca vejo retratado em livros nacionais. Isso já ganha infinitos números na minha experiência de leitura, afinal de contas temos fatos riquíssimos e uma história do Brasil inteira a ser desbravada, com uma introdução logo no começo a autora numa espécie de carta ao leitor, nos conta do processo de pesquisa e ainda nos convida a conhecer mais da história do nosso próprio país.

O plot central desse livro é a história de amor de Malikah (uma escrava trazida da África ainda na infância) e Henrique filho de um fazendeiro Cruel; já é de se imaginar que a vida de Malikah foi permeada pela crueldade humana, se você leu “O amor nos tempos do ouro” você sabe do amor que Malikah tem pelo filho e caso você não tenha lido é em “A história de Malikah” que vamos acompanhar as reviravoltas até que ela seja uma ex-escrava.

Vivemos em um mundo injusto e cruel, querida, onde seres humanos subjugam seus semelhantes sem remorso.

Euclides dono da Fazenda Real e pai de Henrique jamais aceitaria a afronta de ser avô de uma criança que tem uma mãe escrava, logo que descobre a gravidez manda matar Malikah. Sabemos logo no início que, com ajuda de amigos, ela consegue fugir. A grande decepção está quando Henrique deixa Malikah entregue à própria sorte.

A narração está dividida entre capítulos do passado e do presente. Depois de romper com o pai Henrique precisa descobrir uma maneira de se redimir, enquanto Malikah talvez descubra que mesmo não sendo nada fácil o caminho do perdão é mais necessário do que ela imaginava.

Se recuperar o amor e a confiança de Malikah era uma missão impossível, ninguém o impediria de lutar pelo direito de exercer seu papel de pai.

A história de Malikah

Apesar de se tratar de uma obra ficcional não há como não sentir o coração apertado desde a primeira página até a última; acredito que o maior poder dos livros é nos ensinar empatia e a missão é completamente alcançada com essa história.

A maioria dos brancos é doutrinada desde cedo a acreditar que pessoas de outras raças são inferiores. Na hierarquia dessa gente, alguns animais têm mais valor do que o homem, especialmente se este for negro, ou gentio, ou pobre.

Nada nesse desenvolvimento é forçado e mesmo que muitas passagens nos deixem revoltados enquanto leitor  temos que lembrar que isso foi realidade no Brasil de 130 anos atrás; todas as mazelas que a protagonista viveu desde ver a mãe ser morta por chicotadas no tronco, até ter a própria vida ameaçada por carregar um filho de um outro alguém que se julgava superior, foi a verdade de muitos em um Brasil do passado, o que torna a narrativa coerente e fluida o tempo todo. A maneira como nasce o amor entre Malikah e Henrique é também natural. As atitudes do Henrique apesar de injustificável é muito bem fundamentada nos padrões de comportamento da época e acompanhar o crescimento do personagens é lindo.

A esperança é o pilar do mundo.

Marina Carvalho com muita pesquisa e talento nos traz uma história riquíssima, que mesmo com acontecimentos tão duros e tristes nos entrega uma narrativa leve, com momentos de diversão e amor. O pequeno Hassan é quem entra pronto para nos arrancar risadas. Todas as crianças retratadas são de uma doçura incrível, mas falar sobre elas já é dar muito spoiler.

Se devolvesse minha alma a Henrique e ele voltasse a pisar nela, jamais me recuperaria novamente.

A edição segue o padrão de cuidado do primeiro livro, nas aberturas de capítulos há trechos de poemas que são um espetáculo à parte. Se tem uma coisa que eu recomento é: aproveite o fim do ano e leia os dois livros, de preferência na ordem de publicação. 

A boa notícia é que existe a possibilidade de conhecemos mais alguns personagens num próximo livro e, independente de quem seja, uma certeza eu tenho: já estou ansiosa pelo lançamento.


A história de Malikah  

Autora
: Marina Carvalho | Editora: GloboAlt
Páginas:  336 ISBN: 13: 9788525063366
Skoob | Goodreads
Para ler:  Amazon

Ósculos e Amplexos, Karina.

Um milhão de finais felizes, do Vitor Martins

9 de dezembro de 2018

Um milhão de finais felizes

Sabe aquele livro que você não consegue parar de ler e que você não quer que nunca acabe? Um milhão de finais felizes, do Vitor Martins, é esse livro.

“Uma história divertida, sensível e esperançosa sobre o amor e o verdadeiro significado de família, que te fará entender por que o Vitor é um dos melhores autores atuais de YA.” – Iris Figueiredo, autora de Céu sem estrelas e Confissões on-line

Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas.

Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.

Eu ainda não li Quinze dias do Vitor Martins, apesar dele estar aqui na estante aguardando a leitura. Mas quando Um milhão de finais felizes foi lançado e começaram a pipocar resenhas maravilhosas, eu decidi que tinha que ler esse livro.

O meu exemplar chegou por aqui através da parceria com a Globo Livros. Lembro que estava ansiosa por causa da proximidade da Bienal e queria poder autografar com o Vitor durante o evento. E não é que eu consegui esse feito!

Eu não sei muito bem como explicar o sentimento que tive com a história do Jonas. E eu não estou aqui falando do enredo em si. Mas o sentimento que um livro legal desperta no leitor. Aquela sensação de estar tão envolvida com o livro que deseja que o mundo pare só para você ficar lendo e lendo e lendo sem parar; do identificar os personagens com pessoas reais e histórias reais, de não querer parar de ler porque quer saber a qualquer custo o que vai acontecer, de sentir dentro das cenas como se estivesse ali vendo tudo ao vivo e a cores, de torcer para os personagens e de querer dar uns tapas em alguns porque estão fazendo besteira. Toda essa coisa que só um bom livro consegue despertar na gente.

A gente sabe que é uma ficção, mas Um milhão de finais felizes é uma realidade extremamente palpável. São histórias de jovens que estão espalhados por todo o mundo e pode estar acontecendo com quem menos você imagina. É um Young Adult maravilhoso e que deveria ser lido pelo máximo de pessoas possíveis.

Eu realmente amei a leitura desse livro e vocês irão se cansar de ver o tanto que irei recomendá-lo tanto aqui no blog quanto no canal. Eu acho que não vou conseguir expressar, seja escrito ou em vídeo o tanto que gostei desse livro. Sério, vocês irão muito gostar dessa história.

Um milhão de finais felizes
Autor: Vitor Martins | Editora: Globo Alt
Páginas: 352| ISBN: 9788525065377
Skoob | Goodreads
Para lerhttps://amzn.to/2IOaxKO


Mil beijos e até mais!

Muitas águas, de Madeleine L’Engle

28 de novembro de 2018

Muitas águas, de Madeleine L’Engle, é o quarto livro da famosa série literária Uma dobra no tempo. E hoje vou contar um pouco sobre como foi a leitura desse obra que chegou aqui em casa pela parceria do blog com a Editora Harper Collins Brasil.

“É preciso acreditar em certas coisas para poder vê-las!
Sandy e Dennys, os gêmeos da família Murry, sempre foram práticos, realistas e nunca prestaram muita atenção às conversas dos pais cientistas sobre coisas altamente teóricas como tesseratos e farândolas. Mas, após um acidente no laboratório do sr. e da sra. Murry, algo acontece com eles que desafia drasticamente suas capacidades de crer no impossível. Com um desastre à vista, será que os gêmeos conseguirão encontrar uma maneira de voltar à realidade?

Tive a oportunidade de conhecer o trabalho da L’Engle esse ano. Até então nunca tinha ouvido falar sobre a autora ou sobre sua obra e a importância de seus livros para a literatura infanto-juvenil americana. Eu já fiz resenha dos 3 primeiros livros da saga e finalmente cheguei no quarto livro.

Muitas águas vai focar em dois personagens que sempre estiveram em segundo plano nas aventuras da família Murry: os gêmeos Sandy e Dennys. O livro não segue a ordem cronológica da saga e pode ser lido fora de ordem sem nenhum problema. A história se passa verdadeiramente entre o segundo e o terceiro livro. O livro vai abordar uma viagem no espaço-tempo (mais uma vez) e os gêmeos irão parar no mundo na época bem diferente da deles.

Mas vou confessar que me decepcionei com a saga. E esse quarto livro foi uma leitura bem arrastada, bem cansativa e bem sem propósito. Não me senti atraída pela narrativa e achei meio que sem propósito. Vendo as datas de publicação do primeiro livro da saga e esse temos mais de 20 anos de diferença. O que talvez tenha dado a diferença no tom das histórias. Outro fator que me deixou bem intrigada foi que algumas partes achei bem avançadas para um livro infantojuvenil. Eu não sei se isso talvez seja porque o público em questão seriam os mesmos que haviam lido Uma dobra no tempo há 20 anos atrás, ou se a autora achou realmente aquele apropriado para aquele público. Mas eu não achei pertinente para a história.

Algumas coisas ficaram soltas sem uma conclusão decente e personagens sem uma boa explicação da existência deles na narrativa. Eu realmente não vi razão para esse livro na saga. E o que me deixa mais chateada é que os gêmeos eles são personagens bacanas (e a única coisa que salva no livro) e poderiam ser mais bem explorados e ter uma participação mais ativa em toda a saga. Foi a única coisa que salvou no livro. Em uma das resenhas que li no Goodreads, uma leitora do livro disse que a história parecia mais com uma fanfic de A arca de Noé.

O livro mantém o padrão do projeto editorial que a editora escolheu para essa saga. Eles ficam lindos na estante, mas com certeza essa obra não se manterá na minha biblioteca particular que quero manter para o futuro. Fiquei bem triste porque a ideia era manter essa coleção bacana para as minhas futuras gerações.

Muitas águas
Autor: Madeleine L’Engle | Editora: Harper Collins Brasil
Páginas: 320| ISBN: 9788595083295
Skoob | Goodreads
Para lerhttps://amzn.to/2pNm2cN


Mil beijos e até mais!

Aquicorn Cove, de Katie O’Neill

26 de novembro de 2018

Eu não tenho palavras para expressar o que senti ao ler Aquicorn Cove!

Descobri o livro e a ilustradora na resenha de uma amiga no Goodreads e pesquisei uma maneira de poder ler a Graphic Novel. E foi então que descobri o NetGalley e a oportunidade de conhecer autores e histórias antes do lançamento.

Vamos conversar sobre Aquicorn Cove! Simplesmente fantástico! Eu realmente estou encantada com a história, com as ilustrações e com o trabalho delicado da Katie O’Neill

É um livro para o público infanto-juvenil, mas vai encantar pessoas de todas as idades. A história é delicada e cheia de significados. Cuidar da natureza para que possamos viver em harmonia é o ponto chave dessa história. A mensagem que o livro passou é de extrema importância e nos faz refletir sobre o nosso papel no planeta. É muito do que eu acredito e tento aplicar no meu cotidiano.

Eu adorei a Graphic Novel. As ilustrações são encantadoras e o traço da artista é de uma delicadeza sem tamanha. A história daria para virar uma série de tão cativante que os personagens são. As passagens de tempo, os detalhes nas ilustrações mostram a assinatura da ilustradora.

Depois de ler Aquicorn Cove, eu fiquei com muita vontade de conhecer mais livros da autora e ansiosa para alguma editora publicar os livros dela aqui no Brasil.

É uma ótima indicação de livro para jovens leitores e para os mais experientes que curtem ilustrações delicadas e histórias para aquecer o coração. Sério, vocês irão adorar!!!

Agora eu quero um Aquicorn para mim.

Aquicorn Cove
Autora: Katie O’NeillEditora: Oni Press
Páginas: 384 | ISBN: 9781620105290
Skoob | Goodreads
Para ler:  https://amzn.to/2Qpzz6h