O que está acontecendo por aqui?

18 de novembro de 2018

Oi pessoas! Como estão???

Sei que não tenho aparecido muito por aqui. Esse blog se tornou um mar de resenhas literárias e nenhum texto mais pessoal tem sido escrito por essas bandas. Vamos pensar pelo lado positivo e exaltar esse montão de livros que tenho lido (e a Karina também) e tão sendo compartilhados aqui para vocês.

A real é que tenho feito algumas coisas meio que em off, colocado a casa (o blog) em dia e preparado algumas mundanças nessa minha vida blogueiristica. Novidades virão para os próximos meses.

O que acontece é que esse segundo semestre da minha vida está bem louco e quando eu chego nessa altura do campeonato, eu já estou pensando no próximo ano. Eu to me organizando para a alteração no calendário e o projetos começam a andar a passos de formiga.

Está tudo muito lento por aqui, mas estou tentando organizar o máximo que posso da vida porque não quero deixar tantas pendências para 2019. Por isso as redes sociais estão bem paradas e o blog entregue as baratas.

Está tudo bem por aqui? Está tudo bem sim! Tudo caminhando com alguns atropelos e desvios, mas pelo menos indo para frente. Apesar de não saber que “pra frente” é esse que estou indo.

Sim! A selfie que ilustra esse post mostra uma Karin sentada em frente a árvore de Natal  já está montada.  Entrei no clima natalino esse ano mais cedo e estou simplesmente apaixonada pela minha árvore linda e montada no meio da minha sala do jeitinho que sempre sonhei na vida. Eu edito as fotos em uma tela bem pequena, nem quero ver como ficou essa selfie-de-celular-tirada-em-baixa-luz-dentro-de-casa-com-camera-frontal-em-dia-nublado em computadores de tela grande. Mas to nem aí, (mentira, to sim!)

Já vou informando que o blog vai continuar com posts de resenhas de livros porque é o que temos para hoje. São resenhas muito legais de livros lidos tanto por mim quanto pela Karina com muitas dicas de livros para você ler nas próximas semanas.

Vejo vocês em breve!


Mil beijos e até mais!

Mas tem que ser mesmo pra sempre?, de Sophie Kinsella

17 de novembro de 2018

Mas tem que ser mesmo pra sempre?

De uma forma divertida, Sophie Kinsella nos mostra que as pessoas que mais conhecemos são aquelas que também mais podem nos surpreender. Juntos há dez anos, Sylvie e Dan compartilham todas as características de uma vida feliz: uma bela casa, bons empregos, duas filhas lindas, além de um relacionamento tão simbiótico que eles nem chegam a completar suas frases – um sempre termina a fala do outro.
No entanto, quando os dois vão ao médico um dia, ouvem que sua saúde é tão boa que provavelmente vão viver mais uns 68 anos juntos… e é aí que o pânico se instala. Eles nunca imaginaram que o “até que a morte nos separe” pudesse significar sete décadas de convivência. Em nome da sobrevivência do casamento, eles rapidamente bolam um plano para manter acesa a chama da paixão: de um jeito criativo e dinâmico, passam a fazer pequenas surpresas mútuas, a fim de que seus anos (extras) juntos nunca se tornem um tédio.
Porém, assim que o Projeto Surpresa é colocado em prática, contratempos acontecem e segredos vêm à tona, o que ameaça sua relação aparentemente inabalável. Quando um escândalo do passado é revelado e algumas importantes verdades não ditas são questionadas, os dois – que antes tinhas certeza de se conhecerem melhor do que ninguém – começam a se perguntar: Quem é essa pessoa de verdade?…”     .
Um livro espirituoso e emocionante que esmiúça os meandros do casamento e que demonstra como aqueles que amamos e achamos que conhecemos muito bem são os que mais podem nos surpreender.
Fonte da sinopse Editora Record

Em “Mas tem que ser esmo para sempre? ” temos Sylvie e Dan, um casal com C maiúsculo como a própria Sylvie se denomina. Eles são pais de um par de garotinhas gêmeas, que vivem de uma maneira razoavelmente confortável e bem feliz, num checkup de rotina eles recebem a notícia que eles têm uma vida bem longa pela frente (mais especificamente uns 68 anos), o que seria uma notícia maravilhosa para quase todas as pessoas, faz com que esses dois comecem a dar uma leve surtada com os anos que ainda tem um na companhia do outro; afinal quando você aceita o para sempre até que a morte nos separe ninguém tem noção do quanto pode durar essa  eternidade, ai a pergunta que fica é como não deixar a convivência cair numa rotina e estragar tudo?

Nós dividimos nossa vida em décadas. Em cada década fazemos algo diferente e legal. Conquistamos coisas. Nos superamos. Tipo, que tal se, por uma década inteira, a gente só se falasse em italiano?
— O quê?

Sylvie tem a ideia de fazer um projeto para não cair na rotina, esse projeto envolve surpresas onde um deve surpreender o outro para evitar o tédio nos longos anos que eles têm pela frente. Essa ideia de projeto dá o nome original do livro que é “Surprise me”, o projeto no início traz boas surpresas que garantem boas risadas como já é de se esperar em livros da Sophie Kinsella, porém nem tudo são flores já parou para pensar que talvez você não conheça a pessoa com quem você está casado?

Dan e eu temos gostos parecidos em muitas coisas, na verdade — filmes, shows de comédia stand-up, caminhadas —, embora também tenhamos diferenças saudáveis. Você jamais vai me ver subindo numa bicicleta para me exercitar, por exemplo. E nunca vai ver Dan fazendo compras de Natal.

Um chick-lit de um casal que está em um casamento estável a alguns anos é uma premissa que eu nunca tinha lido nesse gênero, geralmente temos histórias de garotas solteiras a procura do grande amor, então aqui prepare se para conhecer uma relação já estabelecida e isso foi uma surpresa bem interessante.

— Divertido? — Tilda parece espantada. — Surpresas não são divertidas.
— São sim! — Não posso deixar de rir da expressão no rosto dela.
— Eu entendo “manter seu casamento animado”. Isso eu entendo. Mas surpresas, não. — Ela sacode a cabeça enfaticamente. — Surpresas têm o péssimo hábito de dar errado.
— Não têm não! — replico, me sentindo incomodada. — Todo mundo adora surpresas.
— A vida já nos presenteia com uma quantidade suficiente de imprevistos. Para que buscar mais? Isso não vai acabar bem — ela acrescenta sombriamente, e eu experimento uma leve irritação.

Essas surpresas que eles planejam um para o outro começam a despertar em Sylvie a desconfiança de que Dan tem um segredo escondido e é aí que o livro sofre uma mudança e se torna mais dramático.

Como desgraça pouca é bobagem rs, o emprego que Sylvie tanto ama corre um certo risco. Seu pai que faleceu em um acidente faz muita falta, tudo ao passo que Dan não liga nem um pouco para as memórias do sogro e ainda tem espaço para uma ex namorada de Dan entrar em cena. Todo esse caos nos garante um livro fofo, engraçado e com espaço para algumas reflexões.

 […] o luto é algo demorado, confuso e terrível… mas não é uma doença. E você enfrenta como pode. Não existe uma forma “certa” para isso.

Os personagens secundários como já são de costume nos livros da Sophie são muito bem desenvolvidos, desde os vizinhos, passando pela melhor amiga até a fútil da mãe da Sylvie e as lembrança do pai que faleceu constroem o pano de fundo que levam Sylvie até a transformação final.

Se amar é fácil, então você não está amando direito.

Se você procura uma leitura leve e apenas para se entreter, Mas tem que ser mesmo pra sempre? é um livro que entrega isso, talvez tenham muitos pequenos mal-entendidos durante os capítulos o que me fez revirar os olhos em alguns momentos, mas isso nem de longe estraga a experiência de leitura.

Mas tem que ser mesmo para sempre?
Autora
: Sophie Kinsella | Editora: Record
Páginas:  378 | ISBN: 9788501113535
Skoob | Goodreads
Para lerhttps://amzn.to/2PTkR75

Ósculos e Amplexos, Karina.

Capitães da Areia, de Jorge Amado

16 de novembro de 2018

Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.
Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.
Fonte da sinopse Companhia das Letras

O livro de hoje é daqueles que nos fazem pegar uma sacola e enche-la com todos os nossos preconceitos literários, amarrar a sacola e jogar tudo pela janela! “Capitães da Areia” é um livro CLÁSSICO, é um livro NACIONAL e é um livro tão maravilhoso quanto poderia ser!

O livro, que já foi obrigatório naquelas listas de vestibular, e pode a princípio nos faz torcer o nariz e dizer: “ai, não é meu estilo de leitura”, mas se você der uma mínima chance vai perceber que é muito mais que um livro da escola modernista ou da primeira fase de escrita do Jorge Amado, e é muitas coisas além de um romance de denúncia.

“Capitães da Areia” nos traz um monte de pontos de vistas (nada confiáveis). A história de crianças de rua que moram num casarão abandonado na praia de Salvador – Bahia, nos mostra um sistema de reformatório que já não funcionava na década de 30, mostra o descaso do governo com crianças e como a sociedade como um todo as tratavam como invisíveis até que o problema batesse na porta.

“[…] E, no dia em que ele fugiu, em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. E, apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.”

O grupo de moleques de rua tem idades variadas, onde o mais velho tem no máximo 16 anos; eles se organizam e cometem furtos e roubos para comer; numa linha do tempo que narra esses roubos, junto com a ação do governo, ou a falta dela, a vida dos meninos vai nos sendo apresentada por meio de flashbacks que contam a história de alguns personagens específicos.

O líder do grupo é conhecido por Pedro Bala, um garoto justo, destemido e que faz de tudo pelo seu grupo; o “Professor”, um menino inteligente que sabe ler e se refugia nos livros; enquanto o “ Sem Pernas” é o que é responsável por nos levar as lágrimas com toda a crueza da narrativa de Jorge Amado, uma criança que só conheceu o desprezo e o ódio reproduzindo assim a crueldade, pois foi a única lição que aprendeu. Isso nos pesa na consciência, pois nos damos conta que mesmo passando mais de 70 anos da publicação da obra, ainda existem muitas crianças na mesma situação.

A felicidade ilumina o rosto de Pedro Bala. Para ele veio também a paz da noite. Porque agora sabe que ela brilhará para ele entre mil estrelas no céu sem igual da cidade negra.

Dora (a única garota que integra o grupo) perde os pais para uma epidemia de varíola e fica responsável pela criação do irmão menor, acaba dormindo alguns dias na praça até que é acolhida pelos Capitães da Areia e passa a ser uma espécie de mãe, irmã e amiga para os garotos; enquanto “Pirulito” sonha em seguir sua vocação religiosa; “Gato”, um garoto que tem noção de sua beleza se envolve com prostitutas mesmo sendo um menino. Eles completam um quadro de crianças que tem apenas a idade biológica, pois vivem como adultos desde muito cedo.

Mesmo não sabendo que era amor, sentiam que era bom.

Eu sei que existe uma polêmica sobre a competência de escritor do Jorge Amado, porque dizem que ele escreve de maneira simplista, porque é um Best-seller (eu nunca entendi porque fazer sucesso no Brasil é sinônimo de coisa ruim), mas enfim.

“Capitães da Areia” já foi adaptado para o cinema e contém diversas edições; eu já li esse livro algumas vezes , mas essa minha última releitura foi na edição de 2013 da Companhia das Letras (a mais completa que já li até hoje), a edição conta com um posfácio do também autor brasileiro Milton Hatoum que nos situa politicamente sobre a época de lançamento do livro (estávamos em plena ditadura militar) e a genialidade da criação do romance; tem ainda citações da Zélia Gattai (segunda esposa do Jorge Amado) que conta sobre o processo de pesquisa para o livro.

Esse é sem dúvida um livro para reler de tempos em tempos, com selo de coração quentinho e que dá orgulho de dizer: É um ótimo produto da nossa literatura.

Capitães da Areia
Autora
: Jorge Amado | Editora: Companhia das Letras
Páginas:  283 | ISBN: 9788535911695
Skoob | Goodreads
Para lerhttps://amzn.to/2DEDp8j

Ósculos e Amplexos, Karina.

Os monólogos da vagina, da Eve Ensler

15 de outubro de 2018

Os monólogos da vagina

Finalmente (finalmente mesmo) tive a oportunidade de ler o livro Os monólogos da Vagina, da Eve Ensler, graças a parceria do blog com a Globo Livros. E muito feliz com essa leitura.

Publicado em 140 países, Os monólogos da vagina marcou toda uma geração com a visão hilariante e reveladora de Eve Ensler a respeito do que até então era considerada uma zona proibida, “aquela-que-não-devia-ser-nomeada”, um mistério até mesmo para as próprias mulheres.
Adaptada a partir da premiada peça teatral off-Broadway que se tornou sucesso absoluto em todo o mundo, tendo inclusive diversas montagens no Brasil, esta obra revolucionária reúne uma série de histórias luxuriosas, emocionantes, singelas e, sobretudo, humanas, que transformaram o ponto de interrogação que costumava pairar sobre a anatomia feminina em um permanente sinal de vitória.
Vinte anos depois de seu lançamento, Eve Ensler mostra, em um prefácio inédito, por que o seu texto continua mais atual – e necessário – do que nunca. Mesclando gargalhadas e lágrimas, a autora transporta seu público para um universo que ainda hoje muitos hesitam em desbravar, garantindo que qualquer um que leia Os monólogos da vagina jamais volte a olhar para o corpo de uma mulher da mesma maneira.
“Eu estava preocupada com as vaginas. Preocupada com o que a gente pensa das vaginas, e mais preocupada ainda com o que a gente não pensa. Então, resolvi falar com mulheres a respeito do assunto. Essas conversas viraram Os monólogos da vagina. Falei com mais de duzentas mulheres: mulheres mais velhas, mais novas, casadas, solteiras, lésbicas, professoras universitárias, atrizes, executivas, profissionais do sexo, mulheres afro-americanas, hispânicas, asiáticas, caucasianas, judias. De início, elas ficavam meio relutantes, um pouco tímidas. Mas, quando começavam a falar, aí não paravam mais.”

Vamos falar sobre o livro: como disse anteriormente Os monólogos da vagina era um livro que estava querendo ler há muito tempo. Hã muito tempo mesmo. Havia uma curiosidade pelo título e pelo o quê se tratava a obra. Mas era um livro que estava esgotado no mercado editorial brasileiro e então esse desejo adormeceu. Porém conheci o Clube de leitura da Emma Watson, o Our Shared Shelf, e “Os monólogos…” é um dos livros lidos no clube e a curiosidade de ler voltou com tudo. Até pesquisei para comprar em inglês mesmo, mas era uma ideia mais para o futuro. E então, quando fiquei sabendo, não sei bem como, que a Ana Guadalupe estava no projeto de tradução do livro, fiquei muito animada.

O livro vai trazer uma série de depoimentos em forma de crônicas sobre mulheres e suas vaginas. As relações delas com o corpo, com a sua sexualidade e com a noção do prazer feminino. É bem interessante porque podemos ter contato com diferentes histórias e realidades que nem imaginávamos poder existir. São relatos que podem ser de qualquer uma de nós. Podem ser da nossa mãe, de uma amiga, de uma vizinha ou de nós mesmos. Apesar do tema parecer pesado, os textos são leves, fluidos e bem humorados. A gente sente que falar do nosso corpo ainda é um grande tabu na sociedade e como a relação com ele pode nortear a nossa vida e nossos atos.

Essa edição de Os monólogos da vagina é comemorativa de 20 anos da primeira publicação e além de contar com a história original, possui capítulos extras contanto toda a trajetória e legado que esse livro tem deixado ao mundo desde a sua primeira publicação em 1996. Ele mostra os projetos desenvolvidos pela Eve Ensler com o apoio de muitas ativistas em prol das mulheres no mundo todo com o V-Day. O V-Day é um projeto que nasceu a partir do livro e luta para o fim da violência contra as mulheres. O livro, juntamente coma peça teatral, tem sido ferramentas de conscientização sobre os direitos da mulheres em regiões do mundo todo, como Filipinas e países do Oriente Médio. O trabalho é incrível e tem tido resultados muito positivos nessa luta

Eu adorei a capa. Ela consegue ser singela e chocante ao mesmo. Acho que carrega a essência da obra. Tenho certeza que devo ter chocado algumas pessoas com esse livro no transporte público com um título tão evidente assim. Mas to nem aí, precisamos de mais livros como esse nas rodas e clubes de leitura. Precisamos discutir sobre os diversos temas abordados que vão muito mais além das questões do corpo, mas do papel da mulher nas diferentes sociedades do mundo.

Apesar de ter começado sem nenhuma pretensão, Os monólogos da vagina é um livro que atingiu e continua atingindo mulheres do mundo todo mostrando que temos voz e que podemos sim ser ouvidas.

Os monólogos da vagina
Autor: Eve Ensler | Editora: Globo Livros
Páginas: 208 | ISBN: 9788525065919
Skoob | Goodreads
Para lerhttps://amzn.to/2pJhkN0


Mil beijos e até mais!